Baleia jubarte saltando com o corpo quase todo fora da agua

Foto: Giles Laurent, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

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10 de julho de 2026 · 7 min

Temporada de baleias em Ilhabela: o espetáculo que passa na nossa janela

De maio a agosto, jubartes de até 40 toneladas cruzam o Canal de São Sebastião. Em 2026, o primeiro avistamento do Brasil aconteceu aqui. Este guia conta onde ver, quando ir e as regras de ouro.

Todo inverno, Ilhabela vira ponto de passagem de gigantes. As baleias-jubarte saem das águas geladas da Antártida e viajam cerca de 5 mil quilômetros rumo ao litoral brasileiro pra se reproduzir, principalmente no Banco de Abrolhos, na Bahia. O caminho delas passa exatamente aqui: pelo Canal de São Sebastião e pelo mar aberto do nosso arquipélago.

E 2026 começou em grande estilo. O primeiro avistamento de jubarte do Brasil neste ano aconteceu em Ilhabela, no dia 16 de abril, registrado pelo Instituto Viva Verde Azul. Nos dias seguintes, a mesma baleia foi vista saltando no sul da ilha e pertinho da balsa. É o segundo ano consecutivo que a temporada nacional abre por aqui.

Quando vir

A temporada oficial vai de maio a agosto, com pico de avistamentos entre junho e julho. Ou seja: agora. A temporada de 2025 foi histórica, com mais de 780 registros segundo o Projeto Baleia à Vista, que monitora a região desde 2016. Só até o fim de julho daquele ano já eram 695 avistamentos, quase o dobro dos 403 de 2024 no mesmo período.

A protagonista é a jubarte, mas ela não vem sozinha. A baleia-de-Bryde, considerada residente da região, aparece o ano todo. Toninhas e golfinhos completam o elenco fixo. E de vez em quando o mar surpreende: em março de 2024, um grupo de sete orcas foi visto caçando raias no sul da ilha.

Esse retorno das jubartes é uma história de recuperação. Depois da proibição da caça, a população que migra pro Brasil saltou de cerca de mil indivíduos pra algo entre 25 e 30 mil, segundo o censo do Instituto Baleia Jubarte. Por isso os avistamentos só aumentam.

Mae e filhote de baleia jubarte na superficie do mar
Foto: Mia Morete, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Onde ver de graça, por terra

Você não precisa de barco pra ver baleia em Ilhabela. A Passarela Caminho ao Mar Ciro Ledo Barbosa, no bairro Taubaté, tem vista aberta pro canal e é o ponto gratuito mais tradicional. O Deck de Observação Científica do Instituto VIVA, na região sul, funciona com agendamento e tem o bônus de pesquisadores por perto pra responder perguntas.

Duas dicas de quem observa daqui: leve binóculos, porque as baleias preferem águas profundas e raramente passam coladas ao costão. E tenha paciência, porque avistamento de costa funciona em qualquer hora do dia com luz. Quanto mais tempo olhando o mar, maior a chance.

De barco, saindo da nossa praia

Pra quem quer ver de perto, os passeios embarcados duram de 3 a 4 horas e costumam sair de manhã. As áreas com mais avistamentos são o Farol do Boi, o Costão de Itapecerica e o mar próximo à Praia do Bonete.

O mais prático pra quem se hospeda no Recanto: a Maremar Turismo opera o passeio de avistamento saindo da Av. São João, na própria Praia do Perequê, a poucos minutos de caminhada daqui. O barco leva biólogo a bordo e a operadora declara 95% de taxa de sucesso nas temporadas de 2023 e 2024. Só não aceita crianças menores de 5 anos.

Cauda de baleia jubarte erguida sobre o mar
Foto: Giles Laurent, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

As regras de ouro (e por que elas importam)

A observação de baleias no Brasil é regulada por lei federal, e Ilhabela leva isso a sério: a cidade mantém o selo Cidade Amiga das Baleias e, em 2026, reforçou a fiscalização com drones e monitoramento embarcado. A região tem cerca de 17 mil embarcações, então as regras existem pra proteger os animais de verdade.

O essencial: embarcações não podem se aproximar a menos de 100 metros de qualquer baleia com motor ligado, é proibido perseguir os animais por mais de 30 minutos, nadar ou mergulhar a menos de 50 metros, fazer barulho excessivo perto deles ou jogar qualquer detrito no mar. Se você contratar passeio, prefira as operadoras da lista oficial Amigas das Baleias.

No fim, a regra de ouro é uma só: a gente é visita na casa delas. E que privilégio ser visita num lugar onde o espetáculo passa na janela.

Vem viver isso de perto.

Fique a 300m da Praia do Perequê, com o canto das tiribas de despertador.

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